quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A propósito dos tempos que vivemos

Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor no nosso jardim,
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores e matam o nosso cão,
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua
e, conhecendo o nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E, porque não dissemos nada
já não podemos dizer nada.

Maiakovski

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Empresas de rating e mercados financeiros

Tem estado na ordem do dia as notações que as empresas de rating atribuem a Portugal. Os mais variados argumentos tem sido esgrimidos para demonstrar que as classificações que atribuem não são corretas, que dever-se-iam denunciar os contratos com essas empresas, etc. etc.
As empresas de rating sempre foram entidades da confiança dos investidores financeiros, sejam eles quem forem, e não dos devedores. A sua importância cresceu com a globalização dos mercados financeiros e a despersonalização das transações financeiras internacionais. Até ao último quartel do século passado parte significativa das aplicações financeiras decorria do conhecimento mútuo dos dealers das diversas instituições financeiras e da confiança que existia entre eles. Com o crescimento exponencial dos agentes, desregulamentação e globalização dos mercados financeiros que a partir daí se tem vindo a verificar, os executivos das salas de mercado só conhecem superficialmente ou não conhecem de todo,os produtos que são oferecidos nem quem os propõe. Daí decorre, bem como de outros factores entre os quais a forma como passaram a ser remunerados, que só compram produtos financeiros que tenham uma notação de rating efectuada por empresa de sua confiança...
Assim, quem quer colocar títulos nos mercados internacionais tem que sujeitar-se às avaliações que as empresas de rating, da confiança dos executivos dos investidores, façam...
Com a desregulamentação dos mercados financeiros, quer investigadores especulativos, quer agentes securitários de créditos, quer investidores de qualquer outro tipo estão no mercado e influenciam as agências de rating. Tal como qualquer pessoa que vá solicitar a um banco um crédito para aquisição de habitação constata, ao sujeita-se à avaliação efectuada por entidade da confiança do banco.
Os estados soberanos é que não devem sujeitar-se as regras impostas por estes investidores. Obviamente, que a oferta de capitais será, neste caso, muito menor mas será o preço a pagar para que os estados possam continuar a ser, ainda, um pouco soberanos...ainda que tenham que diminuir o seu potencial de crescimento.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Fado Tropical?

O projecto europeu a que Portugal aderiu está, actualmente, posto em causa pelas políticas e comportamentos dos seus principais impulsionadores e por alguns dos países que aderiram mais recentemente e que se colocaram na órbita política e económica da Alemanha.
Não quero dizer que o projecto esteja morto mas a probabilidade de vir a transformar-se num projecto de tipo EFTA é cada vez maior. Na primeira crise séria que a Europa atravessou os interesses nacionais sobrepuseram-se aos interesses comunitários, a solidariedade mínima que seria expectável não aconteceu, as manifestações e atitudes dos políticos (ir)responsáveis foram chauvinistas, imperialistas, arrogantes e, mesmo, com laivos de racismo.
Ora, a construção de um projecto europeu, tal como foi arquitectado por Jean Monnet, Koln, Mitterant, Delors, entre outros, não pode aguenta estas tomadas de posição, mesmo que sejam mera turbulência. Não sabemos o que virá, se um reforço da coesão comunitária se uma conciliações dos interesses nacionais dos países mais fortes. Um país, com a dimensão histórica, política e civilizacional de Portugal não pode ficar dependente dos humores e dos interesses imediatos dos detentores do poder nesta Europa. Urge começar a pensar num plano de contingência para a estratégica de longo prazo do nosso País. Sem que isto signifique sair do euro ou da comunidade europeia. Tenhamos presente o "pé dentro, pé fora" do Reino Unido. Temos que agir para não sermos obrigados a, mais tarde, apenas reagir.
Neste contexto, existem laços que deverão ser reforçados, de modo a que a nação portuguesa renasça, transformada e fortalecida, num espaço cultural em que historicamente esteve sempre mais identificada. A comunidade da Lusofonia, ou em sentido mais amplo, a Ibéria, a América Latina e a África sub-sariana de matriz portuguesa constituem um espaço cultural e económico que poderá ser atractivo para todas as partes envolvidas. É preciso navegar... para que, sem quaisquer ideias neo-coloniais, possamos construir um espaço em que nos sintamos todos mais realizados. Será um novo fado tropical?

Fado Tropical

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Em época de eleições VII

As eleições só serão no domingo e eles já começaram a colocar-se a na bicha das benesses...
O patriota Belmiro de Azevedo, que tem a holding da SONAE na Holanda, já vai a comícios abraçar Passos Coelho! Quererá ainda reeditar em moldes actuais, a negociata que quis fazer juntamente com os espanhóis da Telefónica na PT? ou serão novos "investimentos"? Quem não se lembra de como ele elogiava José Sócrates até ao episódio da compra da PT por um preço "agradável"?

Pinto Balsemão também já foi "apresentar a factura"... uma RTP sem publicidade ou sem audiências não lhe seria inconveniente...

Assim vai o meu País...

musica medieval